Arquidiocese do Rio

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    Durante a tarde deste domingo, 20 de agosto, a Mãe de Deus também visitou o Centro de Tradições Nordestinas, em São Cristóvão, uma vez que a devoção a Nossa Senhora de Nazaré se espalhou, primeiro, pelas regiões Norte e Nordeste do país e, só em 2009, a peregrinação em honra a Virgem Maria chegou ao Rio de Janeiro em âmbito arquidiocesano.

    Ainda na entrada do local, uma Cruz e a corda - um dos símbolos mais importantes do Círio no qual milhares de fiéis disputam espaço para tocá-la, com o objetivo de pagar promessas e prestar homenagens à Virgem de Nazaré -, foram conduzidas em procissão pelos fiéis pelas ruas do pavilhão da Feira de São Cristóvão. O povo entoava cânticos a Nossa Senhora, seguidos de brados de ‘viva’. A imagem foi recebida pelo pároco da Matriz de São Cristóvão, padre Edmar Augusto, ao som de “Ave Maria”, cantada pelos devotos.

    Houve um momento de oração, presidido pelo vigário episcopal do Vicariato Urbano, padre Wagner Toledo. “Que alegria recebê-la aqui na Feira de São Cristóvão que, para tantos, é a sua casa, aonde as pessoas vem conviver com suas famílias e aproveitam um momento de lazer”, pontuou.

    Depois, a imagem peregrina visitou a Capela São José, na Vila Mimosa, pois Nossa Senhora não faz distinção de pessoas e vai ao encontro de seus filhos em suas periferias humanas e existenciais. No local, a imagem peregrina foi recebida pelo pároco da Basílica Santa Teresinha, responsável pela capela, Frei Emerson.

    Na capela, durante a celebração missionária, o Cardeal Orani João Tempesta destacou o seu desejo de pastor: “Que Nossa Senhora de Nazaré nos dê forças para a continuidade do trabalho realizado aqui. Que façamos sempre o bem, sem discriminação, sem colocar obstáculos. Que Maria nos ensine a ser famílias cristãs, refletindo que é possível deixar-se guiar por Jesus Cristo”, concluiu.

    Para Márcia Regina Correia, membro da Comunidade Católica Mar a Dentro, Nossa Senhora jamais deixa de ir ao encontro de seus filhos. “É uma alegria receber a imagem, porque sabemos que, como Mãe, ela jamais deixa de visitar seus filhos, principalmente aqui, onde muitos necessitam da intercessão dela. Sobretudo, a comunidade tem uma forte experiência com Nossa Senhora de Nazaré, pois temos uma casa em Belém. Estamos nessa região junto à Basílica Santa Teresinha, onde visitamos as famílias e auxiliamos na catequese para adultos”, destacou.

    Ao final da celebração, a diretoria do Círio de Nazaré em Belém doou uma imagem da Virgem de Nazaré para a comunidade.

    Maria de Nazaré: ‘Bendita és tu entre as mulheres’

    Por fim, a peregrinação chegou à Paróquia Nossa Senhora de Nazaré e Santos Mártires Ugandenses, em Acari, que, neste ano, teve o nome modificado para o atual – antes os padroeiros eram os mártires ugandenses, tendo Nossa Senhora de Nazaré como co-padroeira. No Rio de Janeiro, essa é a região com maior devoção a esse título da Virgem Maria.

    No local, foi realizado um pequeno círio que seguiu até a paróquia. Logo em seguida, teve início a santa missa, presidida pelo Cardeal Orani João Tempesta.

    Durante a homilia, o arcebispo destacou: “A celebração de hoje é uma solenidade que a Igreja preza. Por isso, quando não é feriado no dia 15 de agosto, a celebração é transferida para o domingo. Maria foi escolhida para ser a Mãe do Filho de Deus. Ele, que tudo vê, já a preparou para ser Imaculada Conceição e, no fim de sua vida, Nossa Senhora foi elevada, de corpo e alma, ao céu. A morte não é o fim. Temos uma vida que continua, voltaremos para Deus para vivermos a comunhão perfeita com a Trindade para, no fim dos tempos, ressuscitarmos com Cristo”, complementou.

    O Cardeal ainda ressaltou a importância da dignidade da mulher na sociedade atual. “Muitas ideologias têm sido faladas na sociedade. Mas sabemos onde Deus colocou a mulher. A figura de Maria nos ajuda a compreender a dignidade da mulher, enquanto as ideologias de empoderamento destroem essa dignidade. Construímos nossa caminhada de acordo com a maneira que vivenciamos nosso dia-a-dia. Temos uma única vida, daí a importância de sempre fazer o bem”, argumentou.

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    Fotos: Carlos Moioli

    20/08/2017 - Atualizado em 21/08/2017 12:32

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    Após três dias de peregrinação pelos mais diversos bairros da Arquidiocese do Rio de Janeiro, a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré se despede dos fiéis, neste domingo, dia 20 de agosto. A nona edição do Círio trouxe o tema “Maria de Nazaré, nos ensina a ser família”, atendendo ao apelo feito pelo Papa Francisco em defesa dos lares.

    O último dia de peregrinação teve início com a santa missa realizada na Igreja São Paulo Apóstolo, em Copacabana, presidida pelo arcebispo, Dom Orani João Tempesta, e concelebrada pelo pároco e provincial do Centro-Sul dos Clérigos Regulares de São Paulo, padre Paulo de Tarso Rodrigues, e demais sacerdotes do Rio, São Paulo e Belém do Pará.

    Na homilia, o cardeal destacou que a presença de Maria aponta para os fiéis o caminho para Deus. “A visita de Nossa Senhora traz uma experiência de Nazaré às famílias. Com a presença dela, somos chamados a refletir sobre o valor da vida e da família. Hoje, a Assunção de Maria nos mostra que caminhamos para Deus. É importante que nunca percamos de vista a direção para a qual estamos caminhando, mesmo encontrando obstáculos no caminho”, completou.

    Padre Paulo agradeceu a presença dos paroquianos e fiéis devotos de Nossa Senhora de Nazaré e completou afirmando: “Que a Virgem Maria nos mostre o caminho para uma sociedade mais justa e fraterna. Que possamos levar a presença de Deus a todos os lugares que formos, sobretudo, nas nossas famílias”, destacou.

    O casal Melina de Vasconcelos Guerra e Eduardo Guerra, ambos de Belém do Pará, contaram, emocionados, a experiência de vivenciar o Círio, pela primeira vez, no Rio de Janeiro. “Faz um ano que saímos de Belém e estamos muito saudosos por viver esse momento do Círio com as famílias. Quando uma amiga nos avisou que a imagem de Nossa Senhora de Nazaré estaria aqui, nos programamos para viver essa emoção”, pontuou Melina.

    Eduardo Guerra, esposo de Melina, recordou a intercessão da Virgem Maria na vida do casal. “Nossa Senhora sempre esteve presente em nossa vida. Quando tentávamos ter um filho, fomos ao Círio e pedimos a bênção dela. Mal sabíamos, mas o Murilo, que hoje tem quatro anos, já estava a caminho. Viver essa experiência é sempre muito especial, recordamos também nossas origens e a saudade que temos de nossa família. É um fortalecimento da fé e da unidade da família”, finalizou.  

    No fim, a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré foi saudada com uma chuva de pétalas de rosas na saída da igreja.

    Virgem de Nazaré visita Santuário Basílica de São Sebastião

    O Santuário Basílica de São Sebastião, na Tijuca, também recebeu a imagem peregrina. No local, também foi celebrada a santa missa, presidida por Dom Orani João Tempesta e concelebrada pelo pároco, Frei Arles Dias de Jesus.

    “É com muita alegria que acolhemos os fiéis devotos de Nossa Senhora de Nazaré e, ao mesmo tempo, lançamos o cartaz da celebração que vai acontecer em nossa comunidade, no dia 8 de outubro, com o tema: ‘Maria, estrela da evangelização’. Será um evento com diversas atividades culturais”, disse Frei Arles.

    Lívia Freitas da Silva Carvalho contou sobre a oportunidade de receber a bênção junto ao filho. “Eu me sinto muito abençoada por participar dessa peregrinação com meu filho. Dom Orani nos deu a bênção quando eu ainda estava grávida e hoje tivemos a oportunidade de recebermos a bênção mais uma vez”, contou.

    Tatiana Ferreira Marques, que morou em Belém por 23 anos, narrou a experiência e a emoção de encontrar a Virgem de Nazaré mais uma vez. “Durante esse tempo, minha devoção por ela só aumentou. Minhas duas filhas se chamam Maria por conta do meu amor por Nossa Senhora, tudo o que tenho devo a ela. Espero estar em Belém neste ano para participar do Círio, sempre junto a minha família”, finalizou.

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    Fotos: Carlos Moioli

    20/08/2017 - Atualizado em 20/08/2017 21:07

  3. No mês vocacional, agosto, a terceira semana que, normalmente coincide com a celebração da solenidade da Assunção de Maria, destina-se a oração pelas vocações para a vida consagrada de antigas e novas tradições. Essa reflexão inspira-se na Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Vita consecrata”, assinada por São João Paulo II, em 25 de março de 1996.  A exortação como instrumento de reflexão e formação reflete sobre a vida consagrada e sua missão na Igreja e no mundo. “Ao longo dos séculos nunca faltaram homens e mulheres que, dóceis ao chamado do Pai e à moção do Espírito, elegeram este caminho de especial seguimento de Cristo, para dedicar-se a Ele com coração 'indiviso' (1 Co 7, 34) ” recordava São João Paulo II na introdução da sua exortação Apostólica “Vita consecrata”.

    A vida consagrada está colocada no coração da Igreja como um elemento decisivo na sua missão, exprime a natureza intima da vocação cristã e a atenção da Igreja esposa para a união com o seu único esposo Jesus Cristo. A beleza da vida consagrada está na santidade e nos frutos de santidade, consolidada em três princípios básicos: a Pobreza, a Obediência e a Castidade.  É uma entrega total e incondicional a Deus e a sua Igreja por meio do carisma ou dos carismas, pois existe uma variedade de carismas especifico que o espírito suscita no coração da Igreja para o serviço da caridade, através do testemunho das pessoas consagradas, um testemunho de profecia e esperança.

    O que pede a Igreja aos seus consagrados?  Pede uma fidelidade sempre criativa e ousada, um amor incondicional e um grito profético de esperança e libertação, isso significa ir onde necessita da presença consagrada de homens e mulheres sensíveis aos apelos do Evangelho que chama, elege, convoca e envia em Missão.  É preciso seguir a inspiração, o sopro do espírito. O Espírito Santo é quem orienta, esclarece, e direciona a vida consagrada como sinal da presença viva de Jesus Cristo.

    A Igreja ao longo de sua história sempre acolheu a vida consagrada como um dom especial uma graça que espírito suscita para o anúncio da boa notícia, das bem-aventuranças do reino, e na sua variedade de dons e carismas a vida consagrada permanece sempre fiel a sua vocação e missão fundamental. Como na vida cristã é importante a vida de oração e o testemunho missionário, também na Igreja, isso se visibiliza nos carismas de vida consagrada. Temos os Missionários e Missionárias que percorrem as estradas do mundo nas diferentes áreas da ação evangelizadora, levando a boa nova da libertação e promovendo a vida, mas também os que trabalham nas escolas, hospitais, junto aos excluídos da sociedade, com as crianças e idosos, e tantos outros ministérios. Nos irmãos e irmãs de vida monástica que testemunham uma vida de silêncio, e doação de si mesmo através da oração e intercessão pelas necessidades da igreja e da humanidade sofrida se visibiliza a Igreja que intercede missionariamente numa rica diversidade de possibilidades, Todas as formas de vida consagrada estão sempre configurados a um amor incondicional a Jesus e a sua Igreja, homens e mulheres que seguem a forma vitae e atentos a  inspiração carismática e fundacional  de seus fundadores no seguimento radical de Cristo. Isso significa que todas as variadas formas de vida consagrada constituem uma beleza sem igual, um amor fascinante e apaixonado por Jesus Cristo e seu reino: eis ai razão de ser da vida consagrada, sinais do chamado universal à santidade e a experimentar no hoje os sinais da escatologia.  As pessoas consagradas são sinal de Deus em diferentes áreas da vida, são fermento para o crescimento de uma sociedade mais justa e humana junto dos pobres e pequenos, são testemunhas de partilha e fraternidade, são também profecia e esperança, comungam um estilo de vida radical, a radicalidade do evangelho que está sempre à frente da missão e do carisma fundacional de toda a vida consagrada desde sempre. Por isso cada pessoa consagrada é um dom de Deus para a Igreja e para o povo de Deus que está a caminho. É um importante sinal para uma sociedade dividida, intolerante, violenta, descristianizada e egoísta que nos machuca a cada dia com as notícias que correm sobre essa mudança de época.

    Os consagrados atraídos por Jesus Cristo e seu estilo de vida ao longo da história foram capazes de deixar tudo e segui-Lo. Diante das ideologias que contagiam as pessoas e impõem seus postulados em tantas mentes, a vida consagrada nos aponta para a liberdade dos filhos de Deus que encontraram em Jesus Cristo o tesouro e a pérola de sua existência. Assim foi com os apóstolos, os discípulos e a Virgem Maria, os primeiros que se consagram a um anúncio radical do Evangelho, cada consagrado deve ser o Evangelho vivente e presente por meio do testemunho, ou seja, reescrevem a Palavra de Deus pelas suas vidas. Os consagrados da Igreja nascente constituíram um começo fiel e criativo seguindo as pegadas do Mestre imprimindo assim a marca da inspiração evangélica na vida Igreja, assim foi com as virgens e as viúvas das primeiras comunidades cristãs; Santo Antão no Século III decide retirar-se para o deserto por meio da oração e o desejo de se dedicar à formação de outros que queriam seguir na vida de oração; depois dele São Basílio, Santo Agostinho e São Bento, se tornaram pais e formadores de família de consagrados que faziam da oração e do serviço aos mais pobres um ideal de vida, por meio do ora et labora, intimidade com seu mestre por meio da oração mais ao mesmo tempo dedicação e entrega aos irmãos sofredores pelo trabalho missionário.

    Ao longo da história muitos santos e santas, não só se consagram pessoalmente a Deus, mas inspiraram outros homens e mulheres para o seguimento radical do Evangelho, através de uma espiritualidade e missão especifica respondendo as necessidades mais urgentes da Igreja e do seu tempo, basta lembrar alguns deles, como São Francisco de Assis, Santa Clara, São Domingos, Santa Tereza, Santo Inácio de Loyola, São João Bosco, Madre Tereza de Calcutá, beata Irmã Dulce, Santa Paulina, São frei Galvão, Beata Nhá Chica, Beato Padre Victor e tantos outros que marcaram a vida religiosa através do testemunho que selaram e a marca que deixaram servindo de inspiração para a vida consagrada em todos os tempos.

    Neste Domingo em que celebramos o dia de orações pela vida consagrada, louvemos e agradecemos ao Deus da vida, autor da vida consagrada que continue inspirando, elegendo, enviando e sustentando o testemunho profético e missionário da vida consagrada como um dom especial do Pai das Misericórdias. Em especial, pedimos a esses especialistas em comunhão, pois vivem em comunidade, que sejam sinais da unidade na Igreja chamando-nos pelo exemplo a seguir Cristo na diversidade de dons e carismas, dentro da comunhão no mesmo Senhor. Que o amor dos consagrados seja sempre mais fecundo e fecundante capaz de estimular entusiasmar e incentivar outros homens e mulheres ao seguimento radical de Jesus Cristo por meio desta vocação tão bela, capaz de irradiar o amor sem fronteiras e incondicional por Jesus Cristo e sua Igreja, ele que é modelo perfeito de toda e qualquer vocação.

    Temos outras datas para celebrar a vida consagrada (dia 2 de fevereiro – dia do consagrado e dia 21 de novembro – dia da vida contemplativa) porém em Agosto, na terceira semana rezamos pelas vocações para a vida consagrada, religiosos, religiosas e consagrados (as) seculares e nas novas comunidades, Celebrar esses dias é um momento particular na vida da Igreja, em especial neste mês das Vocações, que deseja recordar-nos do compromisso de cada irmão(a), que devemos assumir, em espírito de corresponsabilidade fraterna e fidelidade criativa no cuidado daqueles que o Senhor envia até nós, e isto, é um testemunho credível por meio da nossa vocação e missão.

    Conscientes de que cada dia é um novo desafio a lançarmo-nos na aventura do amor exigente, cuja meta se alcança pelo entusiasmo de uma vocação verdadeiramente vivida com gozo, partilhada com simplicidade e assumida com fascínio olhamos com esperança para o futuro da vida consagrada confiantes que o Senhor não deixará sem esse sinal a sua Igreja. Vivamos com alegria o Dom da vocação testemunhando no coração da humanidade o carisma evangélico da paz e da alegria fraterna que nos identifica como pessoas felizes por seguir as pegadas do Mestre Jesus Cristo, modelo perfeito de vida consagrada ao Pai e ao seu povo. Caros irmãos e irmãs da vida consagrada o testemunho vivo deve animar e revigorar nossa fé e nossa vocação consagrada no hoje de nossa história. 

    20/08/2017 - Atualizado em 21/08/2017 12:08

  4. Prosseguindo na tradição de marcar o mês de agosto com os temas vocacionais, iniciamos neste domingo da Assunção de Nossa Senhora o tema das vocações à vida religiosa, consagrada.

    Ela é, sem dúvida, um sinal de contradição! Num mundo onde há o individualismo, a busca desenfreada em possuir, o consumismo, o exagero do hedonismo e o apego e busca insaciável do poder fazer a profissão de pobreza, castidade e obediência, incomoda a nossa sociedade.

    As perguntas incomodadas e a tentativa de dizer que isso não é possível esbarram no exemplo de Jesus Cristo, que escolheu esse tipo de vida para si. Foi também Ele que disse que muitos iriam se comportar assim devido à entrega de sua vida à causa do Reino dos Céus.

    É interessante que todos esses passos acontecem na inteira liberdade da pessoa que, respondendo ao chamado do Senhor, pede à Igreja para que possa viver dessa maneira dentro de uma comunidade e carisma específico. A Igreja, com sua sabedoria secular, propõe que esses passos sejam dados com muita maturidade, depois de um longo tempo de reflexão e meditação, após passagens por várias etapas comprovando que realmente a pessoa tem essa vocação.

    As pessoas se esquecem de que a vida religiosa na Igreja nasce logo no início como um grande dom à Igreja e grande oportunidade de santificação para as pessoas que assim são chamadas. Sabemos que todos somos chamados à santidade, mas a vida religiosa é um chamado especial para recordar à Igreja o chamado universal à santidade. É uma oportunidade de viver o Batismo de maneira radical e testemunhar o poder de Deus em chamar homens e mulheres vivendo em comunidade como sinal daquilo que um dia irá ocorrer com todos no final da vida e no final dos tempos – é o sinal escatológico – quando todos deveremos ser pobres, castos e obedientes.

    É também por esse “nadar contra a corrente” e incomodar com o seu testemunho o mundo atual que se procura encontrar erros e incoerências na vida dessas pessoas para que, em divulgando, se possa defender a tese de que isso não é possível. O que ocorre é exatamente o contrário: as exceções chamam atenção para a regra: se existe uma margem de pessoas que não conseguem ser coerente com os votos professados, a maioria, no entanto, continua sendo alegre e fiel ao caminho que um dia começou a trilhar na vida religiosa.

    É realmente interessante ver o combate que se faz contra, e com isso criticam a Igreja como se ela forçasse as pessoas a assim agirem ou a escolherem esse tipo de vida, quando na realidade vemos aí a mão de Deus, e a Igreja tem a missão apenas de discernir os espíritos e acolher e disciplinar os pedidos que são feitos para assim viverem e serem dessa forma reconhecidos por ela.

    Há muitas formas de vida que só na fé se consegue compreender, pois supõe a comunicação de bens sobrenaturais na graça de Deus e na comunhão das pessoas no Senhor, como são as vocações à vida de oração contemplativa e de sacrifícios para a intercessão em favor de todos. Para o homem sem fé e que procura eficiência nos resultados é um sinal que muito o incomoda.

    A vida religiosa masculina e feminina representa para a sociedade um passo muito importante para que a vida em Cristo possa ser ainda mais acolhida pelas pessoas, pois o primeiro serviço que a vida religiosa presta é justamente o seu testemunho, o seu próprio modo de viver. É este o grande sinal: o ser das pessoas que assim vivem. Por isso, grande parte dos consagrados exerce um carisma missionário, servindo à Igreja como anunciadores da boa notícia – do Evangelho – e do Cristo Ressuscitado a todos.

    Além do “ser” da vida religiosa, ela também, no decorrer dos séculos, agiu com muitas obras em favor dos doentes, educandos, órfãos, pobres, necessitados e tantos outros serviços à comunidade. Todos sabemos que quando as irmãs estavam servindo em muitas dessas obras que a Igreja proporcionou como maneira de ação social, as pessoas eram muito melhor acolhidas e assistidas, pois não faziam apenas como um serviço ou para ganhar dinheiro, mas sim por amor a Cristo presente naquela pessoa.

    O testemunho que se ouve é que quem conheceu esses trabalhos dos consagrados tem saudades daquilo que representaram nesses trabalhos. Hoje também estão presentes, preocupados com a transformação social de nosso mundo, e, tendo optado por um tipo de vida radical, podem chamar a atenção da sociedade sobre os caminhos errados que muitas vezes estamos percorrendo.

    Além das formas tradicionais de vida religiosa que conhecemos, o Espírito Santo tem suscitado na Igreja novas formas como são hoje as “novas comunidades”. Além dos homens e mulheres celibatários, temos também os casais e famílias consagrados e que moram em comunidades com carismas próprios e procuram colocar em prática, na radicalidade, a vida do Evangelho. E essa nova forma de consagração tem aumentado a cada dia e entusiasmado os jovens que Deus chama para seguir essa missão.

    É interessante ver como as coisas ocorrem: os novos tipos de consagração só aos poucos vão encontrando a maneira jurídica de se estabelecerem e serem reconhecidos na Igreja, pois não havia ainda a regulamentação canônica de como obter reconhecimento e acompanhamento da Igreja. Situação que pouco a pouco foi sendo superada pela sabedoria da Igreja e acompanhamento carinhoso dessas obras. É o Espírito Santo que vai à frente! À instituição cabe discernir, acompanhar e ajudar nessa caminhada.

    Diante dessa sociedade egoísta e violenta, vivemos hoje uma nova explosão de vitalidade de consagração de homens e mulheres na vida e missão da Igreja. Nesse mundo em que uns se fecham contra os outros – basta ver as fronteiras dos ricos se fechando para os países pobres, onde não se acredita na unidade, na diversidade e que somos todos irmãos –, vemos aí a divisão das etnias e tradições que não querem permanecer unidas num mesmo país e as dificuldades em fazer valer tratados internacionais pela paz e pelo respeito ao comércio mundial – basta vermos os últimos acontecimentos –, a vida religiosa é um chamado para que, com o Evangelho, se construa uma nova sociedade. Sim, é possível um mundo novo e a vida religiosa, se vivida com alegria e radicalidade. É um sinal para essa possibilidade. Comunidades onde se vive a fraternidade, perdão, unidade na diversidade, alegria pela doação de vida e acolhimento e serviço desinteressado a todos, além de sinal de contradição, se anuncia essa possibilidade de um mundo novo construído em novas bases. Um anúncio sem ódio e sem divisões, mas testemunhado e anunciado com vigor.

    Que este dia de orações pelas vocações religiosas consagradas abra os nossos olhos para ver a ação de Deus na vida das pessoas e abra os nossos corações para a oração.

     

    20/08/2017

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    20/08/2017